O que aprendi nas feiras de arte

A experiência artística de participar de feiras e convenções + dicas importantes for dummies.
Publicado em 04/07/2017 - 13:01

Este ano participei de três feiras de rua, com o propósito de testar a recepção dos meus desenhos no "campo de batalha". E pretendo realizar novamente. Ali o feedback é real e imediato. Você consegue observar no rosto das pessoas como algo que você criou as impacta - uma necessidade para a evolução artística que alguém se predispõe a fazer. 

Claro que existem os meios virtuais, que também não mentem, mas são menos orgânicos. 

E você precisa estar aberto à críticas de todos os tipos. Gostei especialmente daquela de uma menina que disse "Nossa, essa Frida é muito louca! Ela é normalmente muito estranha. Mas essa...Está demais!". Enquanto os pais se encolheram diante da expontaneidade, assumindo aquilo como uma crítica negativa, eu conhecia o que havia desenhado e soube que era meu desenho com maior potencial comercial. Não o que eu mais gostava, mas aquele que causava mais reações e simpatia. 

Todos os produtos com aquela impressão esgotaram. 

Quando finda a feira, cai a noite e se volta para casa, um pouquinho de você foi para a casa de outras pessoas. E você leva para a sua um outro tipo de bagagem. Há uma troca de valores maior do que a financeira. É experiência.

E as primeiras feiras são uma relação de erro e acerto, por isso, abaixo vão umas coisas para se pensar se estiver organizando a sua participação num evento ou convenção. 

 

Proteção

- Use plásticos de proteção, principalmente se o seu trabalho for um original. Isso permite que as pessoas possam manusear e também impede que o mesmo seja danificado no processo. Se a feira for em espaço aberto, isso passa de opcional para necessário (intempéries, forças da natureza, exposição ao sol…). 

Esses plásticos podem ser adquiridos em papelarias, mas tente comprar aqueles um pouco maiores que as folhas propriamente - para embalar com folga e impedir que as extremidades amassem, gastem ou sujem.

Mas não pense só no material em exposição direta. É legal que o comprador leve o mesmo para casa em segurança, o que nos leva ao próximo tópico…

 

Embalagens

- Sacolas, tubos de proteção, envelopes e outras formas de enviar seu trabalho para quem comprou é um cuidado extra e que demonstra atenção aos detalhes. 

- Se puder personalizar, melhor. Carimbos com a sua marca ou desenhar são alternativas baratas, modernas e criativas.

 

Apresentação

Como dispor seu material é provavelmente uma das coisas mais importantes a se pensar. O observador precisa ver, ter vontade de pegar, por isso faça qyestão que seu trabalho esteja ao nível do seu olhar. Alguns métodos de expor são os seguintes:

- Pendure em fios no estilo varal. Com cuidado para os pregadores não amassarem o papel. Uma folga no plástico de proteção, do qual falei acima, impede isso de acontecer.  

- Use um biombo, paredes ou grades.  

- Utilize caixas, como fazem os sebos para com os discos. Assim as pessoas podem dedilhar entre as peças. Se forem prints, lembre-se de colocar no fundo algo que sustente a peça em pé. Algumas pessoas usam papelão. 

- Outra forma seria em pastas com plásticos. Para ser mais convidativo, nesse caso, uma arte para a capa dela incitando as pessoas a folhearem a mesma é interessante. 

- Crie um expositor personalizado. Se você for um adepto do DIY (Do It Yourself, ou Faca Você Mesmo) ou tiver grana para mandar produzir, esse é um investimento que vale a pena.

- Dependendo da região onde você mora, pode ser que a cultura de comprar prints não seja algo muito difundido. Ajude o comprador a visualizar tendo algumas peças emolduradas - se possível, faça uma parceria com alguma loja e tenha algumas para vender. Ou pelo menos lojas parceiras.

- Mesas para exposição - seja para colocar as caixas, as pastas e talvez o expositor. Muitas vezes o evento provê esse aparato, mas certifique-se disso antes. Senão você corre o risco de ficar com o seu material no colo. Existem mesas dobráveis, que viram maletas e são práticas. 

- Capriche na decoração do seu cenário. Crie ilusões, algo fotogênico. Isso certamente atrairá mais gente. 

 

Divulgação

- Uma placa ou cartaz com seu logotipo ou assinatura, suas redes sociais e site localiza quem passa pelo stand

- Crie cartões de visita, com suas redes sociais, contatos e prepare-se para distribuir. Convide as pessoas a curtirem suas redes sociais e manter contato. Faça amigos

 

Considerações finais

- Chegue cedo e tenha certeza que sairá tarde. É cansativo, por isso levar uma cadeira aconchegante pode ser sua melhor amiga. 

- Prepare-se para contar histórias do seu processo criativo e conversar bastante. 

- Roupas e tênis confortáveis.

- Alimentos e água para manter-se hidratado e afastar-se pouco da mesa.

- Tenha dinheiro para facilitar o troco dos seus compradores, considere comprar uma maquininha de cartões ou pesquise aplicativos de celular que possibilitem a venda. 

- Tesoura, cola, fios, barbantes, grampos, fita adesiva e um kit com coisas nesse estilo te salvarão numa eventual necessidade. 

- A logística de montagem e desmontagem do stand podem tornar a experiência menos cansativa. 

- Se o evento for ao ar livre, pesquise barracas estilo gazebo para aluguel ou compra com antecedência. Algumas feiras possuem o serviço através de terceirizados. 

Fotos: Ofuska, GracejoEvelyn Veeren.

Rodrigo Kurtz

É designer gráfico, publicitário e ilustrador freelancer. Adora conversar sobre cinema e seriados. Mora em Florianópolis com suas duas gatas, Bitinira e Pretinira.

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